DIÁRIO DE BORDO:
08/02/09 – Exatamente 23 horas.
A corrida é insana. Meu amigo sabe disso. Eu sei disso. O cachorro sentado em meu colo sabe disso. Estamos todos frígidos. Todos "ensaboados". Nossos botões de nossas calças engorduradas de nosso próprio sêmen não nos implicam como modelos atraentes, garotos de propagandas da Ford.
?!!
Aqui estamos.
!!
Balú, lambe minhas calças. "Cachorro feio! Cachorro feio!".
Alemão gira o volante e sorri, seu bigode grosso e seus dentes amarelos o deixam peculiarmente registrado como apenas uma grande figura. Alguns de nós nascemos para tal feito, sermos apenas uma figura.
Mais um selo destes e minha traquéia fechará para sempre.
Alemão engasga-se. Alemão tem ranho escorrendo de suas narinas abertas. Como estamos nos mantendo na estrada é umas das maravilhas de Deus. Uma lata de cerveja na mão direita, uma chave enferrujada com uma branca mais misturada que 30 reais puderam pagar. Ranho.
Balú está pulando na janela, penso que queira ir ao "banheiro". Balú está livre agora.
....
...
..
.
"Cortinas interessantes que vocês têm por aqui". Operei meu megafone. Juliana está presente no momento certo. Ela tem ranho escorrendo de suas narinas abertas. Juliana em breve abrirá outra parte de seu corpo. Todos nós sabemos. "Viajando legal, bonitão!", exclama Juliana com seus 80 quilogramas. Sabiamente, sabia viajar sobre tais circunstâncias. Obviamente, sabia encarar uma gorda dessas escrotas. Ainda assim teria que pagar por essa piranha. A cerveja acaba num momento não planejado. Alemão sumiu e com ele foi-se minha carona para o litoral. Vou atrás de uma ninfomaníaca que faria de tudo.. na verdade atrás de uma recompensa, oferecida por uma ninfomaníaca. Mal sabe ela que seu cachorro perdido foi levado pelo acaso no banco do carona e até o cachorro é viciado em porra. Onde foi parar aquele maldito cachorro?
....
...
..
.
Minhas sementes se espalhando pelo bar "Tropical".
E a vida não poderia ser melhor do que está.
Jonathan Rodriguez
+
+
DIÁRIO DE BORDO
09/02/09 - 23:48
Paramos na frente da casa de Estéfani. Sim, Estéfani. Grandes tetas e um largo sorriso. As tetas dela, o sorriso meu.
Alemão analisa as paredes, testa o interruptor e vai direto para o disjuntor. Uma casa mofada, asquerosa. Os malditos gatos não param de roçar em meu jeans. Estéfani poderia roçar em meus jeans. É! Aquelas tetas deliciosas, suculentas.
Alemão me obriga a trabalhar. Incrível o que se faz para não permanecer no estado em que nos encontramos... sem dinheiro. Alemão mexe nos disjuntores e provoca um curto, as luzes se apagam. Como um bom profissional que sou, deixo para o chefe de elétrica cuidar do assunto. Como bom cavalheiro que sou, protejo as tetas de Estéfani. Ah sim. Aquelas tetas!
!!!!!
Estéfani solta gemidos de prazer, minha calça jeans está perdida em algum lugar daquela casa fedida. Piso em gatos no meio do caminho.
Estalidos pela noite, minha calça novamente está suja. Não mais suja que Estéfani. Esta nasceu suja. Mas, mesmo ela, não é tão imunda quanto aquela casa.
Subo no forro, encontro ratos mortos e um gambá em decomposição. O cheiro é horrível, amarro minha camiseta para filtrar o ar. Deveria ter trazido as luvas, eu sempre esqueço das luvas. Volto correndo em busca de ar puro, mas meus pulmões encontram o ar da casa e meus olhos encontram Alemão montado em Estéfani. “Fiação completamente podre”, sentencio a morte de todos aqueles fios em apenas uma frase curta. “Consegues remendar?“, tenta a mulher com as tetas para fora. Minha calça está em algum lugar lá em cima e a vida ainda é boa. Mas aqueles fios não têm conserto.
Jonathan Rodriguez
+
+
DIÁRIO DE BORDO
05/05/09 - 03:37
Balú, o cachorro, está de volta. Nós estamos de volta.
Na verdade, somente eu voltei. Estive um pouco perdido depois que Estéfani me tirou o último centavo para pagar a primeira prestação numa banheira de um plástico extremamente vagabundo. Dinheiro não é o problema, a falta dele é o meu problema.
Balú rondava a cidadela junto com um garoto franzino, branco até a ponta de seus fios em seu couro cabeludo, penso que até o sangue daquele moleque seja branco. Seu olhos, pelo amor de Jussara, eram brancos!
Alemão simplesmente sumiu após ir buscar mais cigarros para um possível fim do mundo. Alemão disse que voltaria com um Bacú que duraria por três refeições inteiras. O seu carro foi encontrado num lixão, desmontado. Talvez a única coisa que não conseguiram tirar do carro foi o adesivo do Rock in Rio patrocinado pela Batavo. Imagino que tenha sido lá onde ele teve seu contato com uma das brancas mais brancas jamais vistas e/ou experimentadas. Ele sempre falava dela,porém, não se lembrava exatamente de onde tinha surgido tal fascinação pela branca mais branca jamais vista. Não recebi o meu Bacú aquela noite, mas ainda tinha Estéfani, que secretamente planejava me chupar até o último centavo para pagar a primeira prestação da banheira mais vagabunda, de plástico e cor de rosa, que jamais, alguém poderia imaginar e/ou descrever. Mas que tetas!
Seguindo o bom exemplo de meu professor, o Alemão, resolvi tomar a mesma estratégia. Peguei minha mochila, toda a comida em lata da maloca de Estéfani e uma saia longa e preta que transformei em um kilt (minhas calças sumiram). “Como se transforma uma saia em um kilt?”, você deve imaginar e talvez ousar em perguntar. Apenas a chamo assim e portanto ela não é saia é um kilt. Admiro tal liberdade de meu kilt, minhas calças manchadas não estão me fazendo tanta falta quanto eu pensei que me faria. Talvez por que agora eu não precise de bolsos, mais tarde, talvez, bolsos me façam falta.
Balú, o cachorro mais feio do mundo. Viu uma figura mais do que conhecida naquela noite em que resolvi voltar para a cidadela da piranha gorducha. Balú, o cachorro viciado, estava de volta para o seu guia torto, macambúzio e desatinado. Enquanto Balú continuar latindo para aqueles que tentam roubar nossos “suprimentos” nós estaremos bem.
Jonathan Rodriguez
+
+
13/08/10 - 02:45.
Eu lembro da vez em que estive numa cidade sem espelhos.
Hospedei-me num motel barato e vazio. A chave de meu quarto foi dada por algum tipo de criatura que se assemelhava a um ser humano. Ela tinha um crachá em seu bolso, o nome da criatura era “Marta”. Larguei minhas coisas no quarto e resolvi andar pela cidade.
Mulheres despenteadas e sem maquiagem. Homens com barba por fazer. Todos solteiros, todos julgavam a aparência do próximo. Cada um mais feio que o outro. Cada um com nojo da pessoa ao lado.
Estava apenas de passagem por lá. Não gostaria de demorar muito para sair daquele lugar horrendo. Todos me olhavam, as mulheres me desejavam,sentia isso. As mulheres mais apavorantes que havia visto na vida. Obesas, de bigode, com sobrancelhas grossas e pernas de jogadores de futebol. O horror tomava conta de todo o meu corpo e minha mente se esforçava a aceitar aquela realidade.
Até que me ocorreu, uma das oportunidades que a vida oferece.
Armei uma tenda na praça da igreja, pus um cartaz chamativo na frente “Saiba a visão que os outros têm de você”. Dentro da tenda apenas um grande espelho de frente para a abertura. Cobrei 15 reais pela entrada e sentei numa cadeira de balanço. Não demoraram muito, os curiosos perfilaram-se. Ansiosos para saber o que os outros poderiam ver neles próprios.
O primeiro foi um rapaz jovem; talvez uns 16 anos. Cheio de espinhas e cabelo ensebado pela porca higienização pessoal. Ele tinha um perfil semelhante à Cássia Eller, porém, menos masculino. Ao sair da barraca seus olhos estavam vazios. Parecia ter entendido, compreendido a razão pela qual todos saíam de seu caminho quando andava pela calçada. Entendeu naquele momento o porquê de seu rosto sangrar tanto. Ele parou e encarou a multidão que o olhava com uma curiosidade felina. Ele tapou o rosto e saiu correndo “Não olhem para mim”. Uma reação natural, eu pensei. Talvez, com o tempo, a verdade o faça sentir-se melhor consigo mesmo. Quem sabe o que se esconde por debaixo de todas aquelas espinhas e cabelo ensebado?
Estava perdido em meus pensamentos. Esqueci de cobrar uma mulher imensa que mal cabia em minha tenda. Como não havia a percebido? De fato, apenas saí de meu transe devido ao forte odor de fritura, que tipo de pessoa procura respostas agarrada num hambúrguer? Talvez, seja sua tábua de salvação. O único amigo que estaria do seu lado quando a realidade viesse à tona. Toda aquela montanha de imperfeições, com seus 276 quilos, cabelo mal lavado, dobras em lugares do corpo humano das quais eu nunca havia lido em nenhum livro de biologia. Como aquela mulher se locomovia? Como ela passou despercebida por mim? Como cobrar 15 reais de um rinoceronte com um hambúrguer?
Quando ela saiu da tenda, seu rosto estava pálido. Temi pelo pior. Um infarto, talvez. Ela Chorava desesperadamente, ninguém tentou ajudá-la. Aproximei-me e lhe cobrei os 15 reais. Ela abriu uma bolsa de couro preto me entregou o dinheiro. “Como o senhor pôde?”. Dei de ombros. Ela andou por alguns metros até cair de joelhos no chão. Ao menos, acredito que eram os seus joelhos. Ela vomitou algo que continha todas as cores do arco-íris. Culpa talvez dos shakes, hambúrgueres e tortas que havia ingerido antes de saber a terrível verdade. Uma visão multicolorida de todas as variedades que a lanchonete local tinha para lhe oferecer. Pela primeira vez em toda a sua existência, aquela mulher imensa teve vergonha e chorou. Foram necessárias algumas tentativas e muito esforço para se levantar. Novamente, ninguém a ajudou. Todos estavam muito preocupados, perdidos em seus próprios pensamentos, seus próprios problemas. Estariam realmente prontos para encarar os horrores que residiam dentro daquela tenda?
Voltei para a minha cadeira e anunciei que as próximas pessoas deveriam pagar 50 reais. Meu bom tino comercial sabia que isso atrairia a sua curiosidade.
Todos entraram. No dia seguinte, a cidade estava vazia. Ninguém saía de sua casa com medo do que os vizinhos poderiam pensar. Medo dos olhares e do julgamento alheio.
Percebi que a minha presença ali não era mais necessária e até arriscada. Recolhi as minhas coisas. Marta, a criatura, não se encontrava. Deixei a chave no balcão.
Só restava a tenda a ser desmontada. Ao chegar à praça da igreja um calafrio percorreu minha espinha. Senti que olhos me vigiavam, vozes cochichavam. Estariam falando de mim? A tenda estava aberta, um convite. Quanto tempo estaria ali, dois dias, quatro talvez? Porque estava tão nervoso? Dei um passo em direção a sua entrada. Estava em transe, estava perdido em meus pensamentos. Quando um forte de cheiro de fritura me fez cair em si. O rinoceronte, numa agilidade inacreditável pulou por cima de mim “NÃO!” gritou e destruiu completamente a minha tenda. O som de meu espelho se quebrando foi abafado pela manta de gordura que cobriu completamente a tenda. Então ela sorriu, levantou-se na terceira tentativa e mostrou o dedo do meio. Senti traído, estava ajoelhado perto dos cacos tentando observar meu reflexo, enquanto aquela mulher imensa gargalhava e marchava em direção à lanchonete. Todos saíram de suas casas, todos me olhavam, todos me julgavam. E eu não fazia idéia do que estava acontecendo.
Jonathan Rodriguez
+
+
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
“SEXO E COMUNISTAS”
Edison Rodrigues
INT – BAR – NOITE
Um bar pequeno, com um balcão sujo, uma televisão ligada em um canal de futebol. Uma mesa de sinuca que ocupa quase todo o espaço do lugar.
RODRIGUEZ, 50 anos, calvo, magro, com um cigarro pela metade na boca, cheio de hematomas no rosto, com uma camisa puída, um blazer barato e velho por cima, cai de testa na mesa de sinuca.
ANDERSSON, 40 anos, grande com um taco de bilhar nas mãos movimenta-se para bater na nuca de Rodriguez. Outros homens do local o impede de bater mais.
Rodriguez escora-se na mesa e coloca a mão na cabeça para estancar o sangue.
Homens afastam Andersson, outros ajudam Rodriguez levantar-se, ele senta-se no chão com as mãos na cabeça.
RODRIGUEZ
(V.O)
Existe uma boa razão para isso estar acontecendo. Às segundas feiras era estritamente proibido falar de futebol, política ou mulher. Por que isso? Porque quando se fala de futebol, você sacaneia alguém..
INT – BAR – NOITE
Rodriguez leva uma garrafada na cabeça de um HOMEM, 50 anos, gordo, com uma camiseta de time de futebol.
Rodriguez cai no chão.
INT – BAR – NOITE
RODRIGUEZ
(V.O)
.. quando tu fode uma mulher..
INT – QUARTO – NOITE
(Câmera em Rodriguez / mulher de costa para câmera)
Rodriguez deitado transando com uma MULHER, 30 anos, com uma camiseta vermelha.
Rodriguez sorri e mulher geme e grita.
RODRIGUEZ
(V.O)
.. esses caras não suportam o sucesso alheio.
INT – BAR – NOITE
LENINE, 34 anos, barbudo, bate em Rodriguez.
RODRIGUEZ
(V.O)
Não mesmo..
INT – QUARTO – NOITE
P.O.V de Rodriguez.
Mulher transando com Rodriguez com a camiseta vermelha e na frente o símbolo do comunismo, ela tira o anel de casamento do dedo anelar e joga na cama.
INT – BAR – NOITE
Lenine continua batendo em Rodriguez.
Ele pega uma bandeira comunista e bate em Rodriguez com ela.
RODRIGUEZ
(V.O)
Política nunca nos levou a lugar nenhum.
Rodriguez põe as mãos nos bolsos e tira o anel, levantando a mão e a deixando parada no ar.
Lenine pega o anel e sai chorando.
EXT – RUELA – NOITE
Uma ruela vazia e mal iluminada, 3 homens jogam Rodriguez no meio da ruela e voltam para dentro do bar.
RODRIGUEZ
(V.O)
Preciso arranjar outro bar.
- BLACK –
EXT – PARADA DE ÔNIBUS – NOITE
Rodriguez está deitado no chão fumando seu cigarro, com hematomas e sangue seco no rosto e nos cabelos.
Em pé ao lado está JUSSARA, 35 anos, acima do peso, com cabelos negros e pele escura. Tem uma maquiagem forte e mal feita. Ela fuma um cigarro enquanto encara Rodriguez.
JUSSARA
Tem dinheiro?
Rodriguez olha Jussara, sem se levantar.
RODRIGUEZ
Quê?!
JUSSARA
Tem dinheiro?
RODRIGUEZ
Quanto tu quer?
JUSSARA
Trinta.
RODRIGUEZ
É de ouro essa boceta?!
JUSSARA
Vai te fuder então seu filho da puta!
RODRIGUEZ
Prefiro minha mão. Gorda fedorenta.
Jussara chuta as costelas de Rodriguez. Rodriguez cospe fora o cigarro num grito abafado de dor. Jussara atravessa a rua.
Rodriguez levanta-se com dificuldade. Ele avista um ônibus e faz sinal, caindo de cara no chão logo em seguida. O ônibus não pára. Rodriguez resmunga.
INT – QUARTO / APT – NOITE
ANDRÉIA, 24 anos, maquiagem marcada, cabelos tingidos de vermelho, com uma minissaia branca e um top vermelho. Assiste a uma televisão velha e com imagem ruim. Ela dá umas batidas na lateral da televisão.
Rodriguez entra cambaleando porta adentro. Está com a cabeça coberta de sangue viscoso e com o corpo cheio de hematomas. Ele bate a porta e olha para Andréia.
Andréia encara Rodriguez e ri.
Rodriguez continua encarando Andréia.
RODRIGUEZ
Quem é tu?!
ANDRÉIA
(espantada levantando-se da cama)
Como assim?!
Rodriguez põe as mãos nos bolsos. Tira um maço de cigarros amassados. Ele pega um cigarro, o acende e fuma.
Rodriguez cai no chão. Continua fumando seu cigarro.
Andréia deita-se na cama e vê a televisão.
ANDRÉIA
Os comunistas te atacaram novamente?
RODRIGUEZ
Malditos comunistas.
ANDRÉIA
Tá um saco aqui benhê!
RODRIGUEZ
Não posso fazer nada. Não tenho dinheiro pra te levar pra nenhum lugar.. sossega essa bunda aí.
ANDRÉIA
Eu consigo um lugar de graça.
RODRIGUEZ
Nada é de graça.
(resmungando baixo)
Nunca mais vai sair daqui essa piranha?
ANDRÉIA
Que foi benhê?!
Rodriguez levanta-se, caminha até Andréia e a empurra.
Andréia dá um grito de susto enquanto cai no chão.
Ele levanta o colchão e pega uma garrafa de cachaça de baixo.
Rodriguez caminha até o banheiro.
ANDRÉIA
(gritando)
Seu puto! Por que guarda essa porra aí embaixo da cama?! Eu procurei uma coisa pra beber a noite toda, seu merda!
Rodriguez bebe um gole generoso e derrama o resto na cabeça ferida.
Ele volta e joga a garrafa no chão perto de Andréia e deita-se na cama.
ANDRÉIA
(gritando)
Eu quero sair!
RODRIGUEZ
Saí caceta! Adeus! Xô! Vade-reto e etcétera.
ANDRÉIA
(encarando Rodriguez)
Tu não vai ganhar nenhuma chupada hoje.
Andréia levanta-se e caminha até a porta do apartamento.
A calcinha vermelha de Andréia aparece por baixo da minissaia quando ela abre a porta. Ela sai batendo a porta.
Rodriguez suspira.
RODRIGUEZ
(V.O)
O que um homem não faz por uma chupada.
EXT – BAR 2 – NOITE
CÁSSIO, 37 anos, grande, negro e careca, com roupas escuras guarda a frente do bar. Ele observa os clientes entrando pela porta e entrega uma comanda para cada um deles. Os clientes estão em uma fila única, outros seguranças estão circulando o local.
Rodriguez, passa ao lado da fila com Andréia logo à frente. Ele traga seu cigarro e tosse forte deixando seu cigarro cair no chão.
Andréia fura a fila e conversa com Cássio no ouvido, roçando-se nele. Cássio abraça Andréia e sorri dando-lhe alguns beijos e a deixando entrar.
Rodriguez pega seu cigarro e cambaleia até a porta.
Cássio agarra Rodriguez pelo pescoço e o puxa.
CÁSSIO
Na fila, por favor.
RODRIGUEZ
(sorrindo)
Cara.. eu vim com a moça que acabou de entrar.
CÁSSIO
Tá bom.
Rodriguez olha para Cássio.
Cássio não se mexe.
Rodriguez tenta entrar. Cássio o empurra.
CÁSSIO
Não queira mexer comigo magrinho. Eu fui vice campeão brasileiro, tá certo? Tem gente na fila, espera lá atrás tá certo? Eu cuido da sua mulher.
Cássio dá uns tapinhas no ombro de Rodriguez.
Um casal passa por Rodriguez e Cássio deixa entrar.
Rodriguez abre os braços.
RODRIGUEZ
(alto)
Porra, cara! Tu deixou eles entrarem por quê?!
Cássio sorri.
Rodriguez joga fora o cigarro já no final e pega outro acendendo e tragando profundamente.
RODRIGUEZ
Olha. Deixa eu entrar aí. Essa mulher arruma encrenca se não tiver ninguém vigiando! Vai querer encrenca nesse boteco? Teu chefe te joga na rua.
Silêncio.
Rodriguez abre os braços.
RODRIGUEZ
Porra, cara! Eu conheço o dono desse boteco. Sou amigo do cara! Deixa eu entrar caralho!
Cássio empurra Rodriguez e o seu cigarro cai no chão.
Cássio sorri.
Rodriguez agacha-se para pegar o cigarro.
RODRIGUEZ
(V.O)
Às vezes, nós fazemos algumas coisas realmente babacas e sabemos que vai dar merda.
INT – QUARTO – NOITE
Mulher transando com Rodriguez com a camiseta vermelha e na frente o símbolo do comunismo.
Rodriguez segura uma flâmula de comunismo enquanto transa.
EXT – BAR 2 – NOITE
Rodriguez pega o cigarro e encara a virilha de Cássio.
Ele traga o cigarro.
INT – BAR – NOITE
Rodriguez na mesa do bar bebendo uma cerveja, ao seu lado um BÊBADO, 30 anos, desmaiado.
Atrás da mesa de Rodriguez e Bêbado, está Lenine. Bebendo uma coca cola.
Rodriguez ri e dá uns tapas nas costas de bêbado que continua desmaiado.
RODRIGUEZ
(alto)
..Bucetinha apertada, cara! Apertada! Que foda foooda! A mulher era uma dessa loucas liberais com maridinho mimado que vive de mesada de pais ricos e luta pelo comunismo e essas merdas todas cara!
Lenine olha para Rodriguez.
Rodriguez continua falando em voz alta.
Alguém manda Rodriguez calar a boca.
Rodriguez xinga a pessoa e continua.
RODRIGUEZ
(rindo)
Só vou fuder as comunistas agora.
Lenine levanta a mão pedindo a conta.
Rodriguez dá umas batidas no bêbado.
Bêbado acorda.
Rodriguez pega a cerveja de bêbado.
RODRIGUEZ
(levantando o copo)
Tá servido, cara?
BÊBADO
Por que tu não me deixa em paz?!
RODRIGUEZ
(tirando anel do bolso)
Até anel eu ganhei! Se é que me entende!
BÊBADO
(com o rosto na mesa)
Vai ver se eu tô lá na esquina.
Lenine olha para anel nas mãos de Rodriguez.
LENINE
(grito)
Hey!
Rodriguez olha para Lenine e levanta o copo.
RODRIGUEZ
(grito)
Hey!
Ele vira toda a bebida e guarda a aliança.
Lenine pega uma bandeira do partido comunista.
INT – BAR – NOITE
Lenine bate em Rodriguez com a bandeira.
Rodriguez põe as mãos nos bolsos e tira o anel, levantando a mão e a deixando parada no ar.
Lenine pega o anel e sai chorando.
RODRIGUEZ
(V.O)
Coisas realmente estúpidas. Por que fazemos isso?!
EXT – BAR 2 – NOITE
Rodriguez traga o cigarro encarando a virilha de Cássio.
Rodriguez fecha a mão e dá um soco na virilha de Cássio.
Cássio cai de joelhos.
Rodriguez levanta-se sorridente e caminha para o lado oposto.
Alguns seguranças agarram Rodriguez e o puxam.
Rodriguez tenta reagir.
Cássio levanta-se e pega Rodriguez pela nuca o batendo consecutivamente.
Rodriguez cospe sangue e cai no chão.
Os seguranças seguram Cássio.
CÁSSIO
(para um dos seguranças)
Tá! Tá! Tô calmo!
Rodriguez levanta-se pega Cássio pelo pescoço e dá uma cabeçada no queixo de Cássio.
RODRIGUEZ
(V.O)
Coisas realmente estúpidas.
Cássio e Rodriguez caem no chão.
Seguraças olham assustados para Cássio.
Cássio está com o rosto deformado e Rodriguez está com a testa roxa.
Cássio grita e dá socos consecutivos em Rodriguez que está caído no chão.
Seguranças tentam segurá-lo.
EXT – BAR 2 – NOITE
CÁSSIO
Eu fui vice campeão brasileiro, tá certo?
EXT – BAR 2 – NOITE
Cássio continua socando Rodriguez que não esboça nenhuma reação.
RODRIGUEZ
(V.O)
Naquele momento. Eu agradeci a deus que o segurança daquele boteco não era o campeão.
SEGURANÇA
(puxando Cássio)
Cara! Teu rosto! Deixa esse merda aí! Teu rosto, cara!
(para outro segurança)
Chama uma ambulância, sei lá!
Cássio levanta-se e passa a mão no rosto deformado. Ele grita assustado e sai correndo para dentro do bar.
Seguranças vão atrás de Cássio.
Rodriguez levanta-se. Vomita sangue e pega seu cigarro do chão.
Ele caminha na outra direção.
INT – QUARTO / APT – MADRUGADA
Rodriguez está estirado na cama. Seu rosto inchado.
Ele fuma seu cigarro, na sua mão esquerda uma garrafa de cachaça. A sua outra mão está segurando um saco plástico com gelo em cima da testa.
Ele assiste televisão.
Andréia entra no quarto e pára na porta olhando para o estado de Rodriguez.
Rodriguez a observa.
ANDRÉIA
Que foi que aconteceu?!
Rodriguez a encara e abre o zíper das calças.
Andréia o olha, espantada.
Rodriguez aponta para a virilha com as mãos.
Andréia caminha relutante até Rodriguez e deita-se na cama com ele.
Ela desce até sua virilha.
CLOSE EM RODRIGUEZ – Rodriguez bebe um gole da cachaça sem tirar o cigarro da boca. Ele fecha os olhos. Andréia dá alguns gemidos. Rodriguez suspira. Ele olha diretamente para câmera sorrindo.
RODRIGUEZ
O que um homem não faz por uma chupada.
Rodriguez ri e bebe um gole longo e traga seu cigarro.
Edison Rodrigues
INT – BAR – NOITE
Um bar pequeno, com um balcão sujo, uma televisão ligada em um canal de futebol. Uma mesa de sinuca que ocupa quase todo o espaço do lugar.
RODRIGUEZ, 50 anos, calvo, magro, com um cigarro pela metade na boca, cheio de hematomas no rosto, com uma camisa puída, um blazer barato e velho por cima, cai de testa na mesa de sinuca.
ANDERSSON, 40 anos, grande com um taco de bilhar nas mãos movimenta-se para bater na nuca de Rodriguez. Outros homens do local o impede de bater mais.
Rodriguez escora-se na mesa e coloca a mão na cabeça para estancar o sangue.
Homens afastam Andersson, outros ajudam Rodriguez levantar-se, ele senta-se no chão com as mãos na cabeça.
RODRIGUEZ
(V.O)
Existe uma boa razão para isso estar acontecendo. Às segundas feiras era estritamente proibido falar de futebol, política ou mulher. Por que isso? Porque quando se fala de futebol, você sacaneia alguém..
INT – BAR – NOITE
Rodriguez leva uma garrafada na cabeça de um HOMEM, 50 anos, gordo, com uma camiseta de time de futebol.
Rodriguez cai no chão.
INT – BAR – NOITE
RODRIGUEZ
(V.O)
.. quando tu fode uma mulher..
INT – QUARTO – NOITE
(Câmera em Rodriguez / mulher de costa para câmera)
Rodriguez deitado transando com uma MULHER, 30 anos, com uma camiseta vermelha.
Rodriguez sorri e mulher geme e grita.
RODRIGUEZ
(V.O)
.. esses caras não suportam o sucesso alheio.
INT – BAR – NOITE
LENINE, 34 anos, barbudo, bate em Rodriguez.
RODRIGUEZ
(V.O)
Não mesmo..
INT – QUARTO – NOITE
P.O.V de Rodriguez.
Mulher transando com Rodriguez com a camiseta vermelha e na frente o símbolo do comunismo, ela tira o anel de casamento do dedo anelar e joga na cama.
INT – BAR – NOITE
Lenine continua batendo em Rodriguez.
Ele pega uma bandeira comunista e bate em Rodriguez com ela.
RODRIGUEZ
(V.O)
Política nunca nos levou a lugar nenhum.
Rodriguez põe as mãos nos bolsos e tira o anel, levantando a mão e a deixando parada no ar.
Lenine pega o anel e sai chorando.
EXT – RUELA – NOITE
Uma ruela vazia e mal iluminada, 3 homens jogam Rodriguez no meio da ruela e voltam para dentro do bar.
RODRIGUEZ
(V.O)
Preciso arranjar outro bar.
- BLACK –
EXT – PARADA DE ÔNIBUS – NOITE
Rodriguez está deitado no chão fumando seu cigarro, com hematomas e sangue seco no rosto e nos cabelos.
Em pé ao lado está JUSSARA, 35 anos, acima do peso, com cabelos negros e pele escura. Tem uma maquiagem forte e mal feita. Ela fuma um cigarro enquanto encara Rodriguez.
JUSSARA
Tem dinheiro?
Rodriguez olha Jussara, sem se levantar.
RODRIGUEZ
Quê?!
JUSSARA
Tem dinheiro?
RODRIGUEZ
Quanto tu quer?
JUSSARA
Trinta.
RODRIGUEZ
É de ouro essa boceta?!
JUSSARA
Vai te fuder então seu filho da puta!
RODRIGUEZ
Prefiro minha mão. Gorda fedorenta.
Jussara chuta as costelas de Rodriguez. Rodriguez cospe fora o cigarro num grito abafado de dor. Jussara atravessa a rua.
Rodriguez levanta-se com dificuldade. Ele avista um ônibus e faz sinal, caindo de cara no chão logo em seguida. O ônibus não pára. Rodriguez resmunga.
INT – QUARTO / APT – NOITE
ANDRÉIA, 24 anos, maquiagem marcada, cabelos tingidos de vermelho, com uma minissaia branca e um top vermelho. Assiste a uma televisão velha e com imagem ruim. Ela dá umas batidas na lateral da televisão.
Rodriguez entra cambaleando porta adentro. Está com a cabeça coberta de sangue viscoso e com o corpo cheio de hematomas. Ele bate a porta e olha para Andréia.
Andréia encara Rodriguez e ri.
Rodriguez continua encarando Andréia.
RODRIGUEZ
Quem é tu?!
ANDRÉIA
(espantada levantando-se da cama)
Como assim?!
Rodriguez põe as mãos nos bolsos. Tira um maço de cigarros amassados. Ele pega um cigarro, o acende e fuma.
Rodriguez cai no chão. Continua fumando seu cigarro.
Andréia deita-se na cama e vê a televisão.
ANDRÉIA
Os comunistas te atacaram novamente?
RODRIGUEZ
Malditos comunistas.
ANDRÉIA
Tá um saco aqui benhê!
RODRIGUEZ
Não posso fazer nada. Não tenho dinheiro pra te levar pra nenhum lugar.. sossega essa bunda aí.
ANDRÉIA
Eu consigo um lugar de graça.
RODRIGUEZ
Nada é de graça.
(resmungando baixo)
Nunca mais vai sair daqui essa piranha?
ANDRÉIA
Que foi benhê?!
Rodriguez levanta-se, caminha até Andréia e a empurra.
Andréia dá um grito de susto enquanto cai no chão.
Ele levanta o colchão e pega uma garrafa de cachaça de baixo.
Rodriguez caminha até o banheiro.
ANDRÉIA
(gritando)
Seu puto! Por que guarda essa porra aí embaixo da cama?! Eu procurei uma coisa pra beber a noite toda, seu merda!
Rodriguez bebe um gole generoso e derrama o resto na cabeça ferida.
Ele volta e joga a garrafa no chão perto de Andréia e deita-se na cama.
ANDRÉIA
(gritando)
Eu quero sair!
RODRIGUEZ
Saí caceta! Adeus! Xô! Vade-reto e etcétera.
ANDRÉIA
(encarando Rodriguez)
Tu não vai ganhar nenhuma chupada hoje.
Andréia levanta-se e caminha até a porta do apartamento.
A calcinha vermelha de Andréia aparece por baixo da minissaia quando ela abre a porta. Ela sai batendo a porta.
Rodriguez suspira.
RODRIGUEZ
(V.O)
O que um homem não faz por uma chupada.
EXT – BAR 2 – NOITE
CÁSSIO, 37 anos, grande, negro e careca, com roupas escuras guarda a frente do bar. Ele observa os clientes entrando pela porta e entrega uma comanda para cada um deles. Os clientes estão em uma fila única, outros seguranças estão circulando o local.
Rodriguez, passa ao lado da fila com Andréia logo à frente. Ele traga seu cigarro e tosse forte deixando seu cigarro cair no chão.
Andréia fura a fila e conversa com Cássio no ouvido, roçando-se nele. Cássio abraça Andréia e sorri dando-lhe alguns beijos e a deixando entrar.
Rodriguez pega seu cigarro e cambaleia até a porta.
Cássio agarra Rodriguez pelo pescoço e o puxa.
CÁSSIO
Na fila, por favor.
RODRIGUEZ
(sorrindo)
Cara.. eu vim com a moça que acabou de entrar.
CÁSSIO
Tá bom.
Rodriguez olha para Cássio.
Cássio não se mexe.
Rodriguez tenta entrar. Cássio o empurra.
CÁSSIO
Não queira mexer comigo magrinho. Eu fui vice campeão brasileiro, tá certo? Tem gente na fila, espera lá atrás tá certo? Eu cuido da sua mulher.
Cássio dá uns tapinhas no ombro de Rodriguez.
Um casal passa por Rodriguez e Cássio deixa entrar.
Rodriguez abre os braços.
RODRIGUEZ
(alto)
Porra, cara! Tu deixou eles entrarem por quê?!
Cássio sorri.
Rodriguez joga fora o cigarro já no final e pega outro acendendo e tragando profundamente.
RODRIGUEZ
Olha. Deixa eu entrar aí. Essa mulher arruma encrenca se não tiver ninguém vigiando! Vai querer encrenca nesse boteco? Teu chefe te joga na rua.
Silêncio.
Rodriguez abre os braços.
RODRIGUEZ
Porra, cara! Eu conheço o dono desse boteco. Sou amigo do cara! Deixa eu entrar caralho!
Cássio empurra Rodriguez e o seu cigarro cai no chão.
Cássio sorri.
Rodriguez agacha-se para pegar o cigarro.
RODRIGUEZ
(V.O)
Às vezes, nós fazemos algumas coisas realmente babacas e sabemos que vai dar merda.
INT – QUARTO – NOITE
Mulher transando com Rodriguez com a camiseta vermelha e na frente o símbolo do comunismo.
Rodriguez segura uma flâmula de comunismo enquanto transa.
EXT – BAR 2 – NOITE
Rodriguez pega o cigarro e encara a virilha de Cássio.
Ele traga o cigarro.
INT – BAR – NOITE
Rodriguez na mesa do bar bebendo uma cerveja, ao seu lado um BÊBADO, 30 anos, desmaiado.
Atrás da mesa de Rodriguez e Bêbado, está Lenine. Bebendo uma coca cola.
Rodriguez ri e dá uns tapas nas costas de bêbado que continua desmaiado.
RODRIGUEZ
(alto)
..Bucetinha apertada, cara! Apertada! Que foda foooda! A mulher era uma dessa loucas liberais com maridinho mimado que vive de mesada de pais ricos e luta pelo comunismo e essas merdas todas cara!
Lenine olha para Rodriguez.
Rodriguez continua falando em voz alta.
Alguém manda Rodriguez calar a boca.
Rodriguez xinga a pessoa e continua.
RODRIGUEZ
(rindo)
Só vou fuder as comunistas agora.
Lenine levanta a mão pedindo a conta.
Rodriguez dá umas batidas no bêbado.
Bêbado acorda.
Rodriguez pega a cerveja de bêbado.
RODRIGUEZ
(levantando o copo)
Tá servido, cara?
BÊBADO
Por que tu não me deixa em paz?!
RODRIGUEZ
(tirando anel do bolso)
Até anel eu ganhei! Se é que me entende!
BÊBADO
(com o rosto na mesa)
Vai ver se eu tô lá na esquina.
Lenine olha para anel nas mãos de Rodriguez.
LENINE
(grito)
Hey!
Rodriguez olha para Lenine e levanta o copo.
RODRIGUEZ
(grito)
Hey!
Ele vira toda a bebida e guarda a aliança.
Lenine pega uma bandeira do partido comunista.
INT – BAR – NOITE
Lenine bate em Rodriguez com a bandeira.
Rodriguez põe as mãos nos bolsos e tira o anel, levantando a mão e a deixando parada no ar.
Lenine pega o anel e sai chorando.
RODRIGUEZ
(V.O)
Coisas realmente estúpidas. Por que fazemos isso?!
EXT – BAR 2 – NOITE
Rodriguez traga o cigarro encarando a virilha de Cássio.
Rodriguez fecha a mão e dá um soco na virilha de Cássio.
Cássio cai de joelhos.
Rodriguez levanta-se sorridente e caminha para o lado oposto.
Alguns seguranças agarram Rodriguez e o puxam.
Rodriguez tenta reagir.
Cássio levanta-se e pega Rodriguez pela nuca o batendo consecutivamente.
Rodriguez cospe sangue e cai no chão.
Os seguranças seguram Cássio.
CÁSSIO
(para um dos seguranças)
Tá! Tá! Tô calmo!
Rodriguez levanta-se pega Cássio pelo pescoço e dá uma cabeçada no queixo de Cássio.
RODRIGUEZ
(V.O)
Coisas realmente estúpidas.
Cássio e Rodriguez caem no chão.
Seguraças olham assustados para Cássio.
Cássio está com o rosto deformado e Rodriguez está com a testa roxa.
Cássio grita e dá socos consecutivos em Rodriguez que está caído no chão.
Seguranças tentam segurá-lo.
EXT – BAR 2 – NOITE
CÁSSIO
Eu fui vice campeão brasileiro, tá certo?
EXT – BAR 2 – NOITE
Cássio continua socando Rodriguez que não esboça nenhuma reação.
RODRIGUEZ
(V.O)
Naquele momento. Eu agradeci a deus que o segurança daquele boteco não era o campeão.
SEGURANÇA
(puxando Cássio)
Cara! Teu rosto! Deixa esse merda aí! Teu rosto, cara!
(para outro segurança)
Chama uma ambulância, sei lá!
Cássio levanta-se e passa a mão no rosto deformado. Ele grita assustado e sai correndo para dentro do bar.
Seguranças vão atrás de Cássio.
Rodriguez levanta-se. Vomita sangue e pega seu cigarro do chão.
Ele caminha na outra direção.
INT – QUARTO / APT – MADRUGADA
Rodriguez está estirado na cama. Seu rosto inchado.
Ele fuma seu cigarro, na sua mão esquerda uma garrafa de cachaça. A sua outra mão está segurando um saco plástico com gelo em cima da testa.
Ele assiste televisão.
Andréia entra no quarto e pára na porta olhando para o estado de Rodriguez.
Rodriguez a observa.
ANDRÉIA
Que foi que aconteceu?!
Rodriguez a encara e abre o zíper das calças.
Andréia o olha, espantada.
Rodriguez aponta para a virilha com as mãos.
Andréia caminha relutante até Rodriguez e deita-se na cama com ele.
Ela desce até sua virilha.
CLOSE EM RODRIGUEZ – Rodriguez bebe um gole da cachaça sem tirar o cigarro da boca. Ele fecha os olhos. Andréia dá alguns gemidos. Rodriguez suspira. Ele olha diretamente para câmera sorrindo.
RODRIGUEZ
O que um homem não faz por uma chupada.
Rodriguez ri e bebe um gole longo e traga seu cigarro.
“SOBRE O FUTURO”
Edison Rodrigues
INT – CORREDOR BRANCO
Um corredor branco. Com luzes neon iluminando o lugar.
Nenhuma janela.
MARCUS
(V.O)
Eis quando a sociedade chega ao zênite.
SEQUÊNCIA FEITA POR ILUSTRAÇÕES – EXPLICAÇÃO DA SOCIEDADE
MARCUS
(V.O)
Área 532, que nada mais é que um grande laboratório que manufatura humanos para compra e venda.
Uma grande cúpula é desenhada, Área 532 é escrita logo embaixo.
Homem é desenhado, um sinal de adição logo em seguida e uma mulher um sinal de igual e um cifrão.
MARCUS
(V.O)
As cidades grandes são divididas em áreas de produção. Não existe sequer um quadrante não produtivo em nenhuma cidade. A função de cada área foi determinada no primeiro mapeamento crítico matemático, obviamente, feito por um computador.
Um mapa sendo desenhado.
Várias cúpulas aparecem em volta de uma Cúpula maior, que está centralizada.
Equações matemáticas surgem, ao lado de cada cúpula.
Figura de um feto, ele passa pelo desenvolvimento natural de um ser humano até o momento em que se torna um adulto.
Homem está numa sala de aula. Equações matemáticas, soluções químicas e fórmulas físicas “incham” a cabeça de Homem.
MARCUS
(V.O)
Cada funcionário é manufaturado para durar perfeitamente durante 100 anos, cada funcionário tem o dever de servir a Grande Área com seus serviços por exatos 50 anos. Sendo que 20 anos obrigatórios de treinamentos estruturais, psicológicos. lingüísticos, lógicos e constitutivos.
Um bolo de aniversário é desenhado com 50 velas em cima.
Um relógio de ouro aparece. Homem, já velho, coloca relógio no pulso.
Homem é chutado para fora da Grande Cúpula.
Hippies encontram Homem. Abraçam ele. Ele percebe que lhe roubaram o relógio.
Índios canibais aparecem.
Homem está num caldeirão.
MARCUS
(V.O)
Todo o cidadão nasce funcionário. Seu retiramento da Grande Área se dá ao fim do ciclo de funcionamento perfeito do corpo manufaturado. Neste momento ele deixa de ser cidadão.
Mas nada disso importa na verdade, eis a história.
INT – CORREDOR BRANCO
Um corredor branco. Com luzes neon iluminando o lugar. Nenhuma janela.
Um fila feita por homens totalmente vestidos de branco.
ANTONIONI, 30 anos e MARCUS, 25 anos, ambos de cabelos escuros, cheio de gel, penteado para trás. Estão perfilados.
Antonioni está com um cigarro na boca. Marcus o observa e sorri balançando a cabeça, Antonioni esboça um meio sorriso.
MARCUS
(V.O)
Antonioni tinha esse ar rebelde. Ele orgulhava de ter nascido fora da área de fiscalização geneticista e sanitária. Antonioni era filho de puristas.
HOMEM, de jaleco branco, passa pela fila, observando os olhos e os ouvidos daqueles que estão perfilados com um instrumento estranho nas mãos.
Antonioni entrega o cigarro para Marcus.
Marcus não quer ficar com o cigarro, Antonioni empurra o cigarro acesso nas mãos de Marcus. Marcus dá um leve gemido e fecha a mão escondendo o cigarro.
Homem os observa. Antonioni segura uma risada.
Homem passa pelos dois.
ANTONIONI
(dando um tapa na cabeça de Marcus)
Já ficou sabendo?
MARCUS
(arrumando o cabelo)
Por quê fazes isto?
ANTONIONI
Pela diversão. E fala comigo como um ser humano. Pelo amor de Ford.
MARCUS
Amor de Ford?
ANTONIONI
É incrível como você não sabe nada sobre a literatura.
MARCUS
(atirando o cigarro no chão)
É incrível como você não respeita as normas de saúde.
MULHER, 40 anos, com um macacão amarelo e máscara, com um dispositivo semelhante a um aspirador de pó. Agacha-se para recolher o cigarro.
ANTONIONI
(recolhendo rapidamente do chão)
Que tá fazendo coeficiente baixo! Essa coisas custam muitos créditos!
MULHER
Mas caiu no chão.
Antonioni coloca na boca e sorri. Os funcionários emitem um som de surpresa e leve pavor.
Mulher passa mal e sai correndo.
MARCUS
(com os olhos arregalados)
Tu é maluco?! E os germes?!
ANTONIONI
Que germes?! Não sente esse cheiro? Esse cheiro de álcool e produtos químicos? Isso é para disfarçar um fato.
MARCUS
Que fato?
ANTONIONI
Que todos aqui já estão mortos. O cheiro de álcool é para disfarçar o odor dos corpos em decomposição.
Marcus fica observando atentamente Antonioni.
ANTONIONI
Quê?!
Marcus balança a cabeça negativamente.
ANTONIONI
Ah pára! Até parece que tudo aqui não é esterilizado!
MARCUS
Qual é o teu problema?!
ANTONIONI
O problema é que eu tô de saco cheio! De saco cheio!
MARCUS
De saco cheio? Que isso? Se tens um problema físico vai então no centro. Renova suas células, tudo se resolve. Tu sabe disso.
ANTONIONI
É uma metáfora! Embora teu saco devesse estar cheio também!
MARCUS
Como assim?
ANTONIONI
Eu hoje estou no setor de vendas de novo.
MARCUS
Como consegue estar no setor de vendas com uma atitude dessas e eu continuo pela segunda semana consecutiva no reabastecimento?
ANTONIONI
(bagunçando o cabelo de Marcus)
Eu não sou o rebelde aqui ô descabelado!
MARCUS
(arrumando o cabelo)
Pára!
SUZANNE, 20 anos, muito bonita, cabelos escuros pára ao lado de Antonioni.
Antonioni fica em posição de sentido, com o cigarro na boca.
Suzanne tira o cigarro da boca de Antonioni e atira no chão.
SUZANNE
Fostes remanejado. Reabastecimento.
Marcus dá uma leve risada.
Suzanne observa o outro homem que está atrás de Antonioni.
Antonioni a observa por trás com um sorriso torto.
Mulher com dispositivo caminha até o cigarro no chão e o recolhe.
ANTONIONI
Não!
Todos voltam-se para ele.
Antonioni fica em posição de sentido.
Suzanne olha para Antonioni e volta a analisar a fila.
ANTONIONI
Aposto que essa aleijada vai vender por 10 créditos.
MARCUS
O que queres com um cigarro afinal? Não teve que renovar as células do pulmão recentemente?
ANTONIONI
Eu renovei tudo. Inclusive as células do coração.
MARCUS
Do coração? Já?!
ANTONIONI
Tá bom, fígado.
MARCUS
Fígado?! De novo?!
ANTONIONI
Mais saudável que um bebê!
SEQUÊNCIA FEITA POR ILUSTRAÇÕES – O PLANO DE ANTONIONI
Desenho de Antonioni.
Antonini fumando vários cigarros.
Antonioni bebendo álcool puro.
Antonioni com uma carta escrito “DIREITOS DO MANUFATURADO” e apresentando para um médico.
Antonioni sendo recuperado por geneticistas e médicos.
Antonioni com roupa de prisioneiro, novo, sobrando velas de um bolo com 50 velas.
Antonioni fora da Grande Cúpula, abraçando os hippies e abraçando os canibais.
Antonioni tomando banho no caldeirão.
MARCUS
(V.O)
O sonho de Antonioni era de renovação total de suas células, assim ele teria mais tempo de funcionamento e poderia cumprir sua “pena” na Grande Área e viver 100 anos em exílio junto dos viventes das terras de ninguém. Para tal, Antonioni utilizava de seus benefícios obrigatórios que a Área lhe dava, o direito de ser completamente saudável. Assim, sistematicamente, Antonioni acabava com seus órgãos um por um e os renovava completamente. Antonioni tinha mais de 50 anos, mas funcionalmente era um manufaturado de 20 anos.
INT – CORREDOR BRANCO
MARCUS
Desse jeito vais deixar de ser cidadão em 30 anos!
ANTONIONI
Ah, lembrei que ia te dizer. Ficou sabendo?
MARCUS
Do quê?
ANTONIONI
Os ministros das áreas 419 e 312, renovaram completamente suas células.
MARCUS
Como assim?
ANTONIONI
Dizem que passam dos 200 anos.
MARCUS
Duzentos?!
ANTONIONI
É o que dizem.
MARCUS
Isso é impossível. Quem disse isso?
ANTONIONI
Nada é impossível. 200 anos.
MARCUS
Malditos políticos!
Uma luz vermelha acende-se. O ambiente fica avermelhado.
Portas abrem-se pelos corredores.
Um sinal toca.
Antonioni estende a mão para Marcus.
ANTONIONI
Melhor agora que depois.
Marcus ri e aperta mão de Antonioni.
Marcus vira para sua porta e a atravessa. Porta fecha-se imediatamente.
INT – SALA BRANCA
Sala totalmente branca, com uma cadeira de couro branca no centro e dois copos em cima dos braços da cadeira. Um copo é pequeno e têm uma pílula dentro o outro é maior e tem uma tampa plástica.
Suzanne está sentada na cadeira, olhando fixamente para Marcus.
Suzanne levanta-se da cadeira com os dois copos. Ela entrega o copo menor para Marcus.
Marcus toma a pílula.
Suzanne esboça um sorriso e entrega o copo maior para Marcus.
MARCUS
(suando)
Agora?
SUZANNE
Sim, eu tenho que avaliar as condições. Felizmente, é o meu trabalho.
MARCUS
(V.O)
Uma coisa sobre Suzanne.
SEQUÊNCIA FEITA POR ILUSTRAÇÕES – O MANUFATURAMENTO DE SUZANNE
Desenho de Suzanne.
MARCUS
(V.O)
Os geneticistas não estavam de brincadeira quando fizeram esta mulher. Era perfeita e ela por sua vez tinha enojado da perfeição.
Ela sendo manufaturada por cientistas de óculos e lendo playboys.
Uma máquina enfumaçando todo o laboratório.
Suzanne, nua, saí de dentro da máquina.
MARCUS
(V.O)
Suzanne era legitimamente insana, era uma viciada em sexo. Muitas manufaturadas são viciadas em sexo, a maioria delas são.
Suzanne de vestido curto e preto passa por vários homens que têm em cima de suas cabeças corações e carregam caixas de bombons, buquês de flores e alianças.
Suzanne abrindo uma porta e vários homens em fila esperando para entrar no quarto de Suzanne.
MARCUS
(V.O)
A sociedade funcionava melhor assim. Era o que diziam os estudos. Mas poucas eram feitas com tanto capricho quanto Suzanne. Agora tudo que eu consigo pensar é que “finalmente minha vez”.
Desenho de homem andando pela rua, com olheiras profundas, paletó desarrumado e acima dele uma cartela “15 dias sem sexo” e do lado o mesmo homem, com um sorriso gigante, paletó alinhado e grande disposição uma cartela em cima “0 dias sem sexo”.
Desenho de várias cabeças de homens sorrindo formando um cifrão.
INT – SALA BRANCA
Marcus está suando muito ele segura o copo maior em suas mãos.
Marcus está tremendo.
Um filme aparece projetado na parede branca.
Marcus está com a respiração ofegante.
Na parede Branca aparece projetada a imagem de CIENTISTA, 70 anos, cabelos e barba brancas.
CIENTISTA
É um remédio feito unicamente para o manufaturado atingir o orgasmo.
Marcus leva a mão e copo para dentro de suas calças.
Marcus treme, balbucia e ajoelha-se no chão.
CIENTISTA
Masculino ou feminino, tanto faz. Age de uma forma semelhante ao LSD. Causa aumento dos batimentos cardíacos, o usuário tem seu aumento da sua libido e perda temporária de alguns sentidos.
Marcus cambaleia e cai no chão novamente.
Suzanne morde o lábio inferior.
CIENTISTA
Passam-se os minutos dentro de uma sala apenas ejaculando, o resto das 6 horas, normalmente se passa desmaiado.
Suzanne toma uma pílula.
Ela tira a roupa.
Marcus está babando, ajoelhado olhando diretamente para Suzanne.
CIENTISTA
Nas mulheres o efeito é prolongado e as perdas dos sentidos é raro.
Marcus cai deitado no chão. Completamente rijo.
CIENTISTA
Marcus é uma pedra. Uma pedra que está ejaculando faz dois minutos e não percebe. Seu escroto está contraído em breve estará ardendo como se mamonas estivessem no lugar de seus testículos!
Marcus emite um grunhido de pavor.
Cientista gargalha.
Suzanne sobe em cima de Marcus, tira o recipiente de suas mãos.
SUZANNE
Já é o suficiente!
Suzanne beija e morde Marcus.
Marcus não consegue se mover.
P.O.V de Marcus – Suzanne grita e geme em cima de Marcus.
Atrás dela passa um DEFUNTO, bebendo álcool.
Marcus arregala os olhos.
P.O.V de Marcus – Suzanne gira gargalhando.
Marcus geme.
P.O.V de Marcus – Suzanne é um zumbi. Ela gargalha.
Antonioni atrás de Suzanne fumando um cigarro.
Ele aponta para ela.
ANTONIONI
Eu não falei? Todos mortos, cara!
INT – SALA BRANCA
Marcus acorda no chão. O copo tampado ao seu lado.
Ele com dificuldades levanta-se, pega o copo e sai da sala.
INT – CORREDOR BRANCO
Uma fila de homens, igualmente cansados como Marcus caminham em ritmo lento e de marcha. Todos passam por uma grande porta. Acima da porta uma placa escrito “Bar”.
Edison Rodrigues
INT – CORREDOR BRANCO
Um corredor branco. Com luzes neon iluminando o lugar.
Nenhuma janela.
MARCUS
(V.O)
Eis quando a sociedade chega ao zênite.
SEQUÊNCIA FEITA POR ILUSTRAÇÕES – EXPLICAÇÃO DA SOCIEDADE
MARCUS
(V.O)
Área 532, que nada mais é que um grande laboratório que manufatura humanos para compra e venda.
Uma grande cúpula é desenhada, Área 532 é escrita logo embaixo.
Homem é desenhado, um sinal de adição logo em seguida e uma mulher um sinal de igual e um cifrão.
MARCUS
(V.O)
As cidades grandes são divididas em áreas de produção. Não existe sequer um quadrante não produtivo em nenhuma cidade. A função de cada área foi determinada no primeiro mapeamento crítico matemático, obviamente, feito por um computador.
Um mapa sendo desenhado.
Várias cúpulas aparecem em volta de uma Cúpula maior, que está centralizada.
Equações matemáticas surgem, ao lado de cada cúpula.
Figura de um feto, ele passa pelo desenvolvimento natural de um ser humano até o momento em que se torna um adulto.
Homem está numa sala de aula. Equações matemáticas, soluções químicas e fórmulas físicas “incham” a cabeça de Homem.
MARCUS
(V.O)
Cada funcionário é manufaturado para durar perfeitamente durante 100 anos, cada funcionário tem o dever de servir a Grande Área com seus serviços por exatos 50 anos. Sendo que 20 anos obrigatórios de treinamentos estruturais, psicológicos. lingüísticos, lógicos e constitutivos.
Um bolo de aniversário é desenhado com 50 velas em cima.
Um relógio de ouro aparece. Homem, já velho, coloca relógio no pulso.
Homem é chutado para fora da Grande Cúpula.
Hippies encontram Homem. Abraçam ele. Ele percebe que lhe roubaram o relógio.
Índios canibais aparecem.
Homem está num caldeirão.
MARCUS
(V.O)
Todo o cidadão nasce funcionário. Seu retiramento da Grande Área se dá ao fim do ciclo de funcionamento perfeito do corpo manufaturado. Neste momento ele deixa de ser cidadão.
Mas nada disso importa na verdade, eis a história.
INT – CORREDOR BRANCO
Um corredor branco. Com luzes neon iluminando o lugar. Nenhuma janela.
Um fila feita por homens totalmente vestidos de branco.
ANTONIONI, 30 anos e MARCUS, 25 anos, ambos de cabelos escuros, cheio de gel, penteado para trás. Estão perfilados.
Antonioni está com um cigarro na boca. Marcus o observa e sorri balançando a cabeça, Antonioni esboça um meio sorriso.
MARCUS
(V.O)
Antonioni tinha esse ar rebelde. Ele orgulhava de ter nascido fora da área de fiscalização geneticista e sanitária. Antonioni era filho de puristas.
HOMEM, de jaleco branco, passa pela fila, observando os olhos e os ouvidos daqueles que estão perfilados com um instrumento estranho nas mãos.
Antonioni entrega o cigarro para Marcus.
Marcus não quer ficar com o cigarro, Antonioni empurra o cigarro acesso nas mãos de Marcus. Marcus dá um leve gemido e fecha a mão escondendo o cigarro.
Homem os observa. Antonioni segura uma risada.
Homem passa pelos dois.
ANTONIONI
(dando um tapa na cabeça de Marcus)
Já ficou sabendo?
MARCUS
(arrumando o cabelo)
Por quê fazes isto?
ANTONIONI
Pela diversão. E fala comigo como um ser humano. Pelo amor de Ford.
MARCUS
Amor de Ford?
ANTONIONI
É incrível como você não sabe nada sobre a literatura.
MARCUS
(atirando o cigarro no chão)
É incrível como você não respeita as normas de saúde.
MULHER, 40 anos, com um macacão amarelo e máscara, com um dispositivo semelhante a um aspirador de pó. Agacha-se para recolher o cigarro.
ANTONIONI
(recolhendo rapidamente do chão)
Que tá fazendo coeficiente baixo! Essa coisas custam muitos créditos!
MULHER
Mas caiu no chão.
Antonioni coloca na boca e sorri. Os funcionários emitem um som de surpresa e leve pavor.
Mulher passa mal e sai correndo.
MARCUS
(com os olhos arregalados)
Tu é maluco?! E os germes?!
ANTONIONI
Que germes?! Não sente esse cheiro? Esse cheiro de álcool e produtos químicos? Isso é para disfarçar um fato.
MARCUS
Que fato?
ANTONIONI
Que todos aqui já estão mortos. O cheiro de álcool é para disfarçar o odor dos corpos em decomposição.
Marcus fica observando atentamente Antonioni.
ANTONIONI
Quê?!
Marcus balança a cabeça negativamente.
ANTONIONI
Ah pára! Até parece que tudo aqui não é esterilizado!
MARCUS
Qual é o teu problema?!
ANTONIONI
O problema é que eu tô de saco cheio! De saco cheio!
MARCUS
De saco cheio? Que isso? Se tens um problema físico vai então no centro. Renova suas células, tudo se resolve. Tu sabe disso.
ANTONIONI
É uma metáfora! Embora teu saco devesse estar cheio também!
MARCUS
Como assim?
ANTONIONI
Eu hoje estou no setor de vendas de novo.
MARCUS
Como consegue estar no setor de vendas com uma atitude dessas e eu continuo pela segunda semana consecutiva no reabastecimento?
ANTONIONI
(bagunçando o cabelo de Marcus)
Eu não sou o rebelde aqui ô descabelado!
MARCUS
(arrumando o cabelo)
Pára!
SUZANNE, 20 anos, muito bonita, cabelos escuros pára ao lado de Antonioni.
Antonioni fica em posição de sentido, com o cigarro na boca.
Suzanne tira o cigarro da boca de Antonioni e atira no chão.
SUZANNE
Fostes remanejado. Reabastecimento.
Marcus dá uma leve risada.
Suzanne observa o outro homem que está atrás de Antonioni.
Antonioni a observa por trás com um sorriso torto.
Mulher com dispositivo caminha até o cigarro no chão e o recolhe.
ANTONIONI
Não!
Todos voltam-se para ele.
Antonioni fica em posição de sentido.
Suzanne olha para Antonioni e volta a analisar a fila.
ANTONIONI
Aposto que essa aleijada vai vender por 10 créditos.
MARCUS
O que queres com um cigarro afinal? Não teve que renovar as células do pulmão recentemente?
ANTONIONI
Eu renovei tudo. Inclusive as células do coração.
MARCUS
Do coração? Já?!
ANTONIONI
Tá bom, fígado.
MARCUS
Fígado?! De novo?!
ANTONIONI
Mais saudável que um bebê!
SEQUÊNCIA FEITA POR ILUSTRAÇÕES – O PLANO DE ANTONIONI
Desenho de Antonioni.
Antonini fumando vários cigarros.
Antonioni bebendo álcool puro.
Antonioni com uma carta escrito “DIREITOS DO MANUFATURADO” e apresentando para um médico.
Antonioni sendo recuperado por geneticistas e médicos.
Antonioni com roupa de prisioneiro, novo, sobrando velas de um bolo com 50 velas.
Antonioni fora da Grande Cúpula, abraçando os hippies e abraçando os canibais.
Antonioni tomando banho no caldeirão.
MARCUS
(V.O)
O sonho de Antonioni era de renovação total de suas células, assim ele teria mais tempo de funcionamento e poderia cumprir sua “pena” na Grande Área e viver 100 anos em exílio junto dos viventes das terras de ninguém. Para tal, Antonioni utilizava de seus benefícios obrigatórios que a Área lhe dava, o direito de ser completamente saudável. Assim, sistematicamente, Antonioni acabava com seus órgãos um por um e os renovava completamente. Antonioni tinha mais de 50 anos, mas funcionalmente era um manufaturado de 20 anos.
INT – CORREDOR BRANCO
MARCUS
Desse jeito vais deixar de ser cidadão em 30 anos!
ANTONIONI
Ah, lembrei que ia te dizer. Ficou sabendo?
MARCUS
Do quê?
ANTONIONI
Os ministros das áreas 419 e 312, renovaram completamente suas células.
MARCUS
Como assim?
ANTONIONI
Dizem que passam dos 200 anos.
MARCUS
Duzentos?!
ANTONIONI
É o que dizem.
MARCUS
Isso é impossível. Quem disse isso?
ANTONIONI
Nada é impossível. 200 anos.
MARCUS
Malditos políticos!
Uma luz vermelha acende-se. O ambiente fica avermelhado.
Portas abrem-se pelos corredores.
Um sinal toca.
Antonioni estende a mão para Marcus.
ANTONIONI
Melhor agora que depois.
Marcus ri e aperta mão de Antonioni.
Marcus vira para sua porta e a atravessa. Porta fecha-se imediatamente.
INT – SALA BRANCA
Sala totalmente branca, com uma cadeira de couro branca no centro e dois copos em cima dos braços da cadeira. Um copo é pequeno e têm uma pílula dentro o outro é maior e tem uma tampa plástica.
Suzanne está sentada na cadeira, olhando fixamente para Marcus.
Suzanne levanta-se da cadeira com os dois copos. Ela entrega o copo menor para Marcus.
Marcus toma a pílula.
Suzanne esboça um sorriso e entrega o copo maior para Marcus.
MARCUS
(suando)
Agora?
SUZANNE
Sim, eu tenho que avaliar as condições. Felizmente, é o meu trabalho.
MARCUS
(V.O)
Uma coisa sobre Suzanne.
SEQUÊNCIA FEITA POR ILUSTRAÇÕES – O MANUFATURAMENTO DE SUZANNE
Desenho de Suzanne.
MARCUS
(V.O)
Os geneticistas não estavam de brincadeira quando fizeram esta mulher. Era perfeita e ela por sua vez tinha enojado da perfeição.
Ela sendo manufaturada por cientistas de óculos e lendo playboys.
Uma máquina enfumaçando todo o laboratório.
Suzanne, nua, saí de dentro da máquina.
MARCUS
(V.O)
Suzanne era legitimamente insana, era uma viciada em sexo. Muitas manufaturadas são viciadas em sexo, a maioria delas são.
Suzanne de vestido curto e preto passa por vários homens que têm em cima de suas cabeças corações e carregam caixas de bombons, buquês de flores e alianças.
Suzanne abrindo uma porta e vários homens em fila esperando para entrar no quarto de Suzanne.
MARCUS
(V.O)
A sociedade funcionava melhor assim. Era o que diziam os estudos. Mas poucas eram feitas com tanto capricho quanto Suzanne. Agora tudo que eu consigo pensar é que “finalmente minha vez”.
Desenho de homem andando pela rua, com olheiras profundas, paletó desarrumado e acima dele uma cartela “15 dias sem sexo” e do lado o mesmo homem, com um sorriso gigante, paletó alinhado e grande disposição uma cartela em cima “0 dias sem sexo”.
Desenho de várias cabeças de homens sorrindo formando um cifrão.
INT – SALA BRANCA
Marcus está suando muito ele segura o copo maior em suas mãos.
Marcus está tremendo.
Um filme aparece projetado na parede branca.
Marcus está com a respiração ofegante.
Na parede Branca aparece projetada a imagem de CIENTISTA, 70 anos, cabelos e barba brancas.
CIENTISTA
É um remédio feito unicamente para o manufaturado atingir o orgasmo.
Marcus leva a mão e copo para dentro de suas calças.
Marcus treme, balbucia e ajoelha-se no chão.
CIENTISTA
Masculino ou feminino, tanto faz. Age de uma forma semelhante ao LSD. Causa aumento dos batimentos cardíacos, o usuário tem seu aumento da sua libido e perda temporária de alguns sentidos.
Marcus cambaleia e cai no chão novamente.
Suzanne morde o lábio inferior.
CIENTISTA
Passam-se os minutos dentro de uma sala apenas ejaculando, o resto das 6 horas, normalmente se passa desmaiado.
Suzanne toma uma pílula.
Ela tira a roupa.
Marcus está babando, ajoelhado olhando diretamente para Suzanne.
CIENTISTA
Nas mulheres o efeito é prolongado e as perdas dos sentidos é raro.
Marcus cai deitado no chão. Completamente rijo.
CIENTISTA
Marcus é uma pedra. Uma pedra que está ejaculando faz dois minutos e não percebe. Seu escroto está contraído em breve estará ardendo como se mamonas estivessem no lugar de seus testículos!
Marcus emite um grunhido de pavor.
Cientista gargalha.
Suzanne sobe em cima de Marcus, tira o recipiente de suas mãos.
SUZANNE
Já é o suficiente!
Suzanne beija e morde Marcus.
Marcus não consegue se mover.
P.O.V de Marcus – Suzanne grita e geme em cima de Marcus.
Atrás dela passa um DEFUNTO, bebendo álcool.
Marcus arregala os olhos.
P.O.V de Marcus – Suzanne gira gargalhando.
Marcus geme.
P.O.V de Marcus – Suzanne é um zumbi. Ela gargalha.
Antonioni atrás de Suzanne fumando um cigarro.
Ele aponta para ela.
ANTONIONI
Eu não falei? Todos mortos, cara!
INT – SALA BRANCA
Marcus acorda no chão. O copo tampado ao seu lado.
Ele com dificuldades levanta-se, pega o copo e sai da sala.
INT – CORREDOR BRANCO
Uma fila de homens, igualmente cansados como Marcus caminham em ritmo lento e de marcha. Todos passam por uma grande porta. Acima da porta uma placa escrito “Bar”.
CONTOS SOBRE A SOCIEDADE MODERNA
OU
UMA PARÓDIA SOBRE OS MESTRES DO JOGO
Parte I
Edison Rodrigues
Black
MARCUS
(V.O)
Verdades sobre um possível fim do mundo
INT – SALA DE CABANA – DIA
Marcus, 27 anos, barbado, sem camisa, de cabelos desgrenhados, calça jeans velha e de meias cinzas furadas. Ele está sentado num sofá virado para a televisão. Atrás dele duas janelas.
Marcus está com o olhar parado para a televisão.
Atrás dele, pela janela. Bananas caem do céu.
MARCUS
(v.o)
Bananas caíam do céu, o aviso de falsos governantes furtando bolsas e penhores enlouquecidos não me incomodavam naquela manhã do dia 30 de fevereiro.
Detalhe de um calendário (estilo americano) : com um 30 em caixa alta e FEVEREIRO escrito logo abaixo do número.
Detalhe tv: UM HOMEM 40 ANOS, de terno e gravata corre pela rua com uma bolsa em suas mãos. UMA SENHORA, logo atrás brandindo os punhos.
INT – BANHEIRO – DIA
Banheiro pequeno e sujo.
Marcus está parado frente à banheira.
Detalhe de banheira cheia de lama.
Marcus entra na banheira e toma um banho de lama.
EXT – CAMPO – DIA
Marcus está com uma sacola de pano nas mãos.
Ele alimenta uma vaca com o conteúdo dessa sacola.
MARCUS
(V.O)
Tomei meu banho de lama e alimentei minhas vacas com o mel que me tinha sobrado da última colheita. As picadas em meus braços inchados pela alergia não me incomodavam.
Detalhe de braço: braço com picadas, completamente roxas (marcas de viciado).
Marcus abaixo o braço e observa seus pés.
Detalhe de meias furadas. E no chão algumas bananas.
EXT – RUELA – DIA
Marcus caminha por uma ruela e entra numa loja (câmera continua do lado de fora).
MARCUS
(V.O)
Andei um bocado até a loja de alfinetes que ficava na divisa da cidade, como todos sabem é ilegal vendê-los em época de soltura das senhoras já muito idosas e sem gosto na boca.
(MULHER DE 60 ANOS pára na frente da câmera, com olhos vermelhos) e sorri maliciosamente.
MARCUS
(V.O)
Maníacas!
MULHER SAI CORRENDO.
MARCUS
(V.O)
Tentei evitar o pensamento de passar mais uma noite na prisão, mas, minhas meias precisavam de reparos imediatos. Tudo causado pela briga na noite anterior, malditas unhas mal cortadas. Apesar das minhas meias furadas e sujas de sangue.. eu não me incomodava..
BLACK
MARCUS
(V.O)
Não tanto.
INT – SALA ESCURA
Sala completamente escura a não ser pela luz que ilumina Marcus.
Detalhe de mão de Marcus: três moedas e um clipe de papel.
MARCUS
(V.O)
Quando descobri que me tinham sobrado apenas 3 centavos por conta de uma aposta com uma prostituta do norte da Argélia, não me incomodei.
Ele caminha até DIABO, 30 anos, vestindo um terno escuro, atrás de uma bancada, fumando um cigarro.
Diabo oferece uma agulha para Marcus e um papel e caneta.
MARCUS
(V.O)
Fui à loja de penhores e dei como garantia minha alma.
INT – SALA CABANA – DIA
MARCUS
(V.O)
Voltei para minha casa e costurei minhas meias, o rádio anunciava o fim do mundo, não me incomodei tanto. Tinha ainda meus 3 centavos e minhas meias consertadas enquanto um penhor louco tinha uma alma que não valia mais nada.
INT – SALA ESCURA
Diabo rasga o contrato raivoso.
INT – SALA CABANA – DIA
MARCUS
(V.O)
Enquanto isso as minhas vacas eram atacadas por idosas malucas munidas de agulhas de crochê e bengalas em suas mãos sardentas e quase sem vida. E não me incomodei.
MULHER com uma agulha de crochê, olhos vermelhos, suja de sangue se escora na janela do lado de fora e observa Marcus.
Marcus relaxa no sofá vendo televisão.
.....................................,,,,,,,,,..........
PARTE II
Black
CAIPIRA
(V.O)
Eu sabia sobre as futuras gerações. Eu os esperava.. esperava com os olhos bem abertos.
EXT – VARANDA – DIA
DETALHE: OLHOS DE CAIPIRA.
CAIPIRA
(V.O)
Seres dotados de uma força impressionante, geneticamente superiores.
INT – SALA CLARA
Sala extremamente clara.
CAIPIRA
(V.O)
Sem erros em seus corpos moldados pela perfeição científica, todos eles e elas, perfeitos... ou melhor... seriam o mais perfeito que um ser humano poderia ser e seriam um pouco mais. Mesmo ultrapassando nosso senso de perfeição, nunca seriam perfeitos, mas seriam uns fodões com certeza.
Detalhes de: MULHER DE ROSTO PERFEITO.
Detalhes de: MULHER DE CORPO PERFEITO.
Detalhes de: Homem de corpo perfeito.
Mulher de rosto perfeito sorri levemente.
EXT – VARANDA – DIA
CAIPIRA, 40 anos, sentado numa cadeira de balanço. Ao seu lado um cachorro velho.
Ele balança lentamente observando o horizonte e acariciando uma arma.
CAIPIRA
(V.O)
Estaria velho, gordo, fraco e barbudo. Estaria usando uma roupa rasgada,fudida, fora de moda e fedendo à cigarro e bebida barata. Estaria parado na varanda, com minha arma carregada (engatilha a arma). Estaria pronto para todos esses filhas-da-puta!
OU
UMA PARÓDIA SOBRE OS MESTRES DO JOGO
Parte I
Edison Rodrigues
Black
MARCUS
(V.O)
Verdades sobre um possível fim do mundo
INT – SALA DE CABANA – DIA
Marcus, 27 anos, barbado, sem camisa, de cabelos desgrenhados, calça jeans velha e de meias cinzas furadas. Ele está sentado num sofá virado para a televisão. Atrás dele duas janelas.
Marcus está com o olhar parado para a televisão.
Atrás dele, pela janela. Bananas caem do céu.
MARCUS
(v.o)
Bananas caíam do céu, o aviso de falsos governantes furtando bolsas e penhores enlouquecidos não me incomodavam naquela manhã do dia 30 de fevereiro.
Detalhe de um calendário (estilo americano) : com um 30 em caixa alta e FEVEREIRO escrito logo abaixo do número.
Detalhe tv: UM HOMEM 40 ANOS, de terno e gravata corre pela rua com uma bolsa em suas mãos. UMA SENHORA, logo atrás brandindo os punhos.
INT – BANHEIRO – DIA
Banheiro pequeno e sujo.
Marcus está parado frente à banheira.
Detalhe de banheira cheia de lama.
Marcus entra na banheira e toma um banho de lama.
EXT – CAMPO – DIA
Marcus está com uma sacola de pano nas mãos.
Ele alimenta uma vaca com o conteúdo dessa sacola.
MARCUS
(V.O)
Tomei meu banho de lama e alimentei minhas vacas com o mel que me tinha sobrado da última colheita. As picadas em meus braços inchados pela alergia não me incomodavam.
Detalhe de braço: braço com picadas, completamente roxas (marcas de viciado).
Marcus abaixo o braço e observa seus pés.
Detalhe de meias furadas. E no chão algumas bananas.
EXT – RUELA – DIA
Marcus caminha por uma ruela e entra numa loja (câmera continua do lado de fora).
MARCUS
(V.O)
Andei um bocado até a loja de alfinetes que ficava na divisa da cidade, como todos sabem é ilegal vendê-los em época de soltura das senhoras já muito idosas e sem gosto na boca.
(MULHER DE 60 ANOS pára na frente da câmera, com olhos vermelhos) e sorri maliciosamente.
MARCUS
(V.O)
Maníacas!
MULHER SAI CORRENDO.
MARCUS
(V.O)
Tentei evitar o pensamento de passar mais uma noite na prisão, mas, minhas meias precisavam de reparos imediatos. Tudo causado pela briga na noite anterior, malditas unhas mal cortadas. Apesar das minhas meias furadas e sujas de sangue.. eu não me incomodava..
BLACK
MARCUS
(V.O)
Não tanto.
INT – SALA ESCURA
Sala completamente escura a não ser pela luz que ilumina Marcus.
Detalhe de mão de Marcus: três moedas e um clipe de papel.
MARCUS
(V.O)
Quando descobri que me tinham sobrado apenas 3 centavos por conta de uma aposta com uma prostituta do norte da Argélia, não me incomodei.
Ele caminha até DIABO, 30 anos, vestindo um terno escuro, atrás de uma bancada, fumando um cigarro.
Diabo oferece uma agulha para Marcus e um papel e caneta.
MARCUS
(V.O)
Fui à loja de penhores e dei como garantia minha alma.
INT – SALA CABANA – DIA
MARCUS
(V.O)
Voltei para minha casa e costurei minhas meias, o rádio anunciava o fim do mundo, não me incomodei tanto. Tinha ainda meus 3 centavos e minhas meias consertadas enquanto um penhor louco tinha uma alma que não valia mais nada.
INT – SALA ESCURA
Diabo rasga o contrato raivoso.
INT – SALA CABANA – DIA
MARCUS
(V.O)
Enquanto isso as minhas vacas eram atacadas por idosas malucas munidas de agulhas de crochê e bengalas em suas mãos sardentas e quase sem vida. E não me incomodei.
MULHER com uma agulha de crochê, olhos vermelhos, suja de sangue se escora na janela do lado de fora e observa Marcus.
Marcus relaxa no sofá vendo televisão.
.....................................,,,,,,,,,..........
PARTE II
Black
CAIPIRA
(V.O)
Eu sabia sobre as futuras gerações. Eu os esperava.. esperava com os olhos bem abertos.
EXT – VARANDA – DIA
DETALHE: OLHOS DE CAIPIRA.
CAIPIRA
(V.O)
Seres dotados de uma força impressionante, geneticamente superiores.
INT – SALA CLARA
Sala extremamente clara.
CAIPIRA
(V.O)
Sem erros em seus corpos moldados pela perfeição científica, todos eles e elas, perfeitos... ou melhor... seriam o mais perfeito que um ser humano poderia ser e seriam um pouco mais. Mesmo ultrapassando nosso senso de perfeição, nunca seriam perfeitos, mas seriam uns fodões com certeza.
Detalhes de: MULHER DE ROSTO PERFEITO.
Detalhes de: MULHER DE CORPO PERFEITO.
Detalhes de: Homem de corpo perfeito.
Mulher de rosto perfeito sorri levemente.
EXT – VARANDA – DIA
CAIPIRA, 40 anos, sentado numa cadeira de balanço. Ao seu lado um cachorro velho.
Ele balança lentamente observando o horizonte e acariciando uma arma.
CAIPIRA
(V.O)
Estaria velho, gordo, fraco e barbudo. Estaria usando uma roupa rasgada,fudida, fora de moda e fedendo à cigarro e bebida barata. Estaria parado na varanda, com minha arma carregada (engatilha a arma). Estaria pronto para todos esses filhas-da-puta!
Assinar:
Postagens (Atom)